Mochilão - Entrevista e viagem para várias regiões da Bolívia

Foto: Emerson Marques
Fazer um mochilão é o sonho de muita gente (leia-se meu também! hahaha), poder viajar, conhecer novos lugares, culturas, pessoas, é uma experiência única! Vários amigos toparam a aventura e viajaram para a Bolívia! Semanas atrás fiz um post com a participação deles  com um guia completo sobre tudo o que você precisa saber para fazer a viagem dos sonhos (clique aqui e veja a matéria completa). Agora você confere aqui a segunda parte dessa entrevista super bacana e vai descobrir mais detalhes de como foi o mochilão deles e várias outras curiosidades

Foto: Janaina Zequim

COMO SURGIU A IDEIA DE FAZER O MOCHILÃO?


JANAINA ZEQUIM - A ideia de fazer o mochilão surgiu depois de uma viagem que fizemos para um evento no Chile no ano passado (2014), acho que foi a primeira experiência de viagem internacional para muitos que viajaram comigo e foi muito bom. Depois da primeira viagem assim você fica com vontade de conhecer lugares e culturas diferentes cada vez mais. Depois de tantas aulas de campo do curso de Geografia, viajar meio que se tornou uma necessidade, uma paixão, pelo menos para mim. Foi só juntar a galera com o mesmo pensamento e o mochilão aconteceu.

EMERSON MARQUES - Bom, a ideia de fazer um mochilão já existia há algum tempo, pelo menos da minha parte, por fazer Geografia e ir a eventos do curso, conhecer novas cidades e novos lugares sempre foi uma rotina, digamos que o mochilão só veio para formalizar essa condição. No caso do mochilão para a Bolívia foi tudo meio pensado, meio que por acaso ao mesmo tempo; o fim do curso estava próximo e eu tinha muita vontade de conhecer um novo país (já havia estado no Chile em um evento de estudantes de Geografia), conversando com alguns amigos do curso percebi que a vontade era a mesma, principalmente com o pessoal que havia ido ao Chile comigo; num primeiro momento queríamos voltar ao Chile, mas o preço da passagem já seria um critério de exclusão (pelo menos pra mim!), depois de um tempo a ideia voltou mais forte e olhamos a Bolívia como uma possibilidade muito legal, primeiro porque faz fronteira com Mato Grosso, segundo porque poderíamos fazer todo o percurso de ônibus, terceiro porque conseguimos uma planilha de gastos de outro mochilão de um conhecido e vimos que os gastos estavam dentro do que tínhamos na época. Começamos a conversar, fechamos um grupo de quatro corajosos com tempo e dinheiro (pouco), definimos o período em que viajaríamos e claro tínhamos um objetivo principal...conhecer o Salar de Uyuni, que pelo menos no meu caso fiquei sabendo da existência no Chile.

RODRIGO TAKATA  A ideia do mochilão surgiu depois de uma viagem a um congresso para o Chile, pensamos em várias possibilidades de ida e a mais viável era um mochilão.

Foto: Janaina Zequim

VOCÊ FOI COM UM GRUPO DE AMIGOS? QUANTAS PESSOAS?


JANAINA ZEQUIM - Viajamos em um grupo de 4 pessoas. Percebemos que um grupo pequeno assim foi bem mais vantajoso de viajar. Quando viajamos para o Chile estávamos em um grupo de 10 pessoas mais ou menos e sempre havia divergências nas decisões o que acabava causando certa tensão no grupo todo. No mochilão para a Bolívia com o grupo reduzido houve mais sintonia nas tomadas de decisões já que todos tinham interesses parecidos. 

EMERSON MARQUES - Sim, fomos num grupo de quatro pessoas, eu (Emerson), Jana, Takata e Andréia. Já nos conhecíamos há certo tempo, porque fazemos o mesmo curso na UFMT (Geografia).

RODRIGO TAKATA Sim, fomos em 4 pessoas.

Foto: Rodrigo Takata

COMO FIZERAM O ROTEIRO DA VIAGEM?


JANAINA ZEQUIM - Nosso planejamento de viagem foi baseado em um roteiro pronto de uma amiga do Takata, esse roteiro não tinha a rota exata que queríamos fazer, mas ajudou bastante em alguns pontos e serviu como base para nossa viagem. Depois fizemos pesquisas em sites e blogs que relatavam experiências de outros mochileiros como: mochiladventure.blogspot.com, blog.malapronta.com.br, entre outros. Colocamos como prioridade conhecer o Deserto de Sal, na Bolívia e o Deserto do Atacama, no Chile, mas devido a imprevistos não visitamos o Atacama.

EMERSON MARQUES - Tínhamos um objetivo principal para o mochilão, que era conhecer o Salar de Uyuni, a partir deste objetivo traçamos com a ajuda de um roteiro que conseguimos fazer nosso próprio roteiro de viagem. O bom do mochilão na verdade é poder a qualquer momento mudar o roteiro original da viagem, tínhamos pensado em chegar a Uyuni e encontrar com um amigo no Atacama, de lá voltaríamos pelo norte da Argentina e Paraguai; aconteceu que desde o início da viagem tivemos alguns imprevistos, um deles nos tomou cerca de dois dias, e chegando a cada nova cidade queríamos conhecer pelo menos um pouco das paisagens, dos lugares, das pessoas, enfim, mudamos nossa ideia principal e foi muito legal mesmo assim! Quando chegamos a Uyuni já estávamos mais do que satisfeitos, nosso dinheiro também já estava acabando então resolvemos voltar para o Brasil.

RODRIGO TAKATA Nossa intenção era conhecer o Deserto de Atacama e o Deserto de Sal, então procuramos um roteiro no qual poderíamos conhecer lugares interessantes nesse trajeto. Entretanto, por alguns imprevistos decidimos em grupo voltar.

Foto: Janaina Zequim

E QUANTO AOS GASTOS? TIVERAM QUE ECONOMIZAR?


JANAINA ZEQUIM - Fizemos o planejamento de gastos a partir da planilha que a amiga do Takata nos forneceu, a partir daí colocamos como base gastar em torno de R$ 1.200,00, e sendo a Bolívia um país bem mais barato que o Brasil não tivemos problemas com essa quantia.

EMERSON MARQUES - Da minha parte além de calcular um valor básico para a ida de acordo com a planilha de gastos que tivemos acesso, calculei um valor máximo de gastos diários que era algo em torno de 50 reais, acontece é claro que alguns dias você acaba gastando mais outros menos, mas no geral não passei muito desse valor no fim das contas. Levei 1.200 reais em dinheiro, deixei uns 200 reais na poupança em caso de emergência, e foi justamente os mil e duzentos que gastei no mochilão inteiro, e não posso dizer que sofri com esse valor, a Bolívia é um país barato para viajar.

RODRIGO TAKATA Previmos nossos gastos baseados em um mochilão que uma amiga minha fez, ela disponibilizou uma planilha com valores, indicação de bons lugares para ficar e coisas essenciais em um mochilão. Gastamos em média R$ 1.200,00, como a Bolívia é um país barato não tivemos tantos problemas com dinheiro.
  
Foto: Rodrigo Takata

QUAL FOI O TRAJETO DA VIAGEM?


JANAINA ZEQUIM -   Nossa rota de ida: Cuiabá - Cáceres - Corixa (um distrito que faz divisa com a Bolívia) - San Matias - Santa Cruz de La Sierra - Sucre - Potosi - Uyuni.
A rota de volta mudou pouca coisa: Santa Cruz - Puerto Quijarro (na fronteira) - Corumbá-MS - Campo Grande - Cuiabá.

EMERSON MARQUES - Nossa rota de viagem foi a seguinte:
- Saímos de Cuiabá e fomos até Cáceres.
- De Cáceres fomos até Corixa (um distrito que faz divisa com a Bolívia).
- De Corixa a San Matias.
- San Matias a Santa Cruz de La Sierra.
- De Santa Cruz fomos até Sucre.
- De Sucre fomos até Potosi.
- De Potosi enfim fomos para Uyuni.
A volta só foi diferente o trecho de Santa Cruz até a fronteira com o Brasil, mas ficou assim:
- De Santa Cruz para Puerto Quijarro (na fronteira).
- Puerto Quijarro a Corumbá-MS.
- Corumbá até Campo Grande.
- E de Campo Grande até Cuiabá.

RODRIGO TAKATA Cuiabá – Cáceres – San Mathias – Santa Cruz – Sucre – Potosí e Uyuni.

Foto: Janaina Zequim

QUAIS AS MELHORES COISAS QUE ACONTECEU NA VIAGEM? VALE DESDE FATOS ENGRAÇADOS ATÉ OS LUGARES LINDOS QUE CONHECEU.


JANAINA ZEQUIM -  Só o fato de sair para viajar já me deixou feliz, acompanhada de pessoas legais fez tudo ficar melhor. Tudo era novidade para nós, então tentamos absorver conhecimento de cada lugar que passamos e cada pessoa que conhecemos. Nossa aventura começou ainda no Brasil, pegamos uma chuva terrível de Cuiabá a Cáceres e estávamos viajando a noite. Chegando à rodoviária velha de Cáceres conhecemos um andarilho chamado Willians, malandro, mas gente boa. Viramos a noite nessa rodoviária, conversamos muito com o Willians, ele nos falou que éramos loucos de fazer uma viagem assim, nos deu dicas, nos contou histórias, mantemos contato até hoje pelo facebook.  A chuva não deu trégua no começo da nossa viagem, ficamos atolados por horas no trecho de San Matias a Santa Cruz sem poder contatar ninguém. No ônibus conhecemos muitos brasileiros que fazem medicina na Bolívia, agradeço a todos pelas dicas! Todo tipo de viagem está sujeito a surpresas tanto positivas quanto negativas e em um mochilão não é diferente. Passamos por imprevistos bem ruins, mas fomos recompensados com paisagens lindas, pessoas educadas e receptivas o que foi quebrando aos poucos os estereótipos que tínhamos sobre a Bolívia. Chegar ao deserto de sal foi o ápice da viagem para mim, foi lindo estar em um lugar que admirávamos tanto pelas fotos, mais surpreendente ainda foi nos depararmos com um casamento de uns japoneses no meio do deserto, foi uma situação engraçada de se ver. Outro lugar inesquecível foi a vista do Mirador Chatahuana na subida para o Vulcão Thunupa, é quase impossível descrever a sensação de estar naquele lugar, de um lado o Vulcão do outro o deserto de sal a perder de vista, foi lindo. A viagem como um todo foi perfeita, acho que os pontos positivos se sobrepõem aos negativos. 

EMERSON MARQUES - Muita coisa, mas com certeza quando chegamos em Uyuni foi algo muito louco, tudo que já estava dando mais do que certo na viagem ficou melhor ainda, na minha opinião Uyuni foi muito marcante; a paisagem é perfeita e completamente diferente do que eu já tinha visto, fora o sentimento de dever cumprido, o “enfim chegamos” foi o melhor com certeza, tudo o que vimos seja o próprio Salar, seja o vulcão, a cidadezinha de Uyuni, tudo foi muito foda, não tem outra palavra, foda! Mas com certeza algo muito marcante foi o casamento que encontramos no meio do Salar. Quando já estávamos voltando para a cidade (tínhamos dormido num vilarejo no pé do vulcão Tunupa), vimos de longe alguns carros parados e nosso guia pensou que lá seria um bom local para tirar fotos devido a quantidade de carros que estavam parados lá, quando fomos chegando mais perto percebemos que na verdade estava acontecendo o casamento de um casal de japoneses, a cena foi muito surreal e muito legal ao mesmo tempo; paramos o carro (coche em espanhol), nosso guia perguntou se podíamos tirar algumas fotos e conversar com eles, responderam que sim, e fomos tirar fotos com eles, desejar felicidades ao casal e parabenizar pela ideia de fazer seu casamento no Salar, porque com certeza aquele era um local muito especial para fazer isso.

RODRIGO TAKATA Acredito que a viagem por completo foi boa, mas tiveram coisas fantásticas. Iniciamos a nossa aventura conhecendo um andarilho, cheio de histórias e conhecimento; atolamos e ficamos quase dois dias na estrada de terra, sem comunicação com parentes, foi onde fizemos muitas amizade e conversamos muito sobre lugares turísticos na Bolívia, haviam muitos estudantes de medicina de Mato Grosso que estavam indo para Bolívia, então foi bom ter um conhecimento prévio sobre o que estava por vir, e descobrir que atolamentos nessa época é bem comum; achei fantástico a viagem entre Potosí – Uyuni, como estudante de geografia estar cara a cara com coisas que estudamos, como a Cordilheira dos Andes, diversas formações geológicas, falhas, dobras, estar no maior deserto de sal do mundo com certeza foi umas das coisas mais maravilhosas que eu vi; O vulcão Thunupa, foi um desafio que eu me senti realizado por conseguir subir tão alto; conhecer a cultura pré-inca também foi incrível.

Foto: Emerson Marques

FOI DIFÍCIL ENCONTRAR LUGAR PARA SE HOSPEDAR? COMO FAZIA COM OS MANTIMENTOS? ÁGUA, COMIDA, ETC?


JANAINA ZEQUIM -  Não foi difícil encontrar lugar para nos hospedarmos, fizemos algumas pesquisas prévias, mas geralmente as cidades que íamos pernoitar sempre tinham bastante Hostéis com preços mais em conta e de boa qualidade. Também conhecemos lugares bons através de dicas de outros viajantes que conhecemos pelo caminho. Em viagens assim é bom sempre tomar água mineral para evitar qualquer contratempo como dor de barriga ou qualquer outro tipo de mal-estar.  Levamos algumas coisas do Brasil como biscoitos, barras de cereal, feijoada enlatada, mas as nossas refeições eram todas feitas em restaurantes com preços e aparências convidativas.

EMERSON MARQUES - Quanto à hospedagem não encontramos dificuldades, às vezes não sabíamos onde íamos ficar ao certo, mas antes de sairmos da cidade onde estávamos já pesquisávamos opções de hostel para ficar. Levamos alguns mantimentos aqui do Brasil, pouca coisa, bolachas, barrinhas de cereal, enlatados como atum, e uma feijoada cada para fazer uma noite brasileira na Bolívia. A água achamos melhor comprar, água mineral é mais confiável e evita que aconteçam imprevistos como dor de barriga.

RODRIGO TAKATA Água, comida... Foi bem tranquilo quanto aos lugares para se hospedar, fomos por indicações e utilizamos o site Booking.com, que foi muito útil. Nossos mantimentos ficavam em armários que tinham chave, quanto a isso foi muito tranquilo.

MAIS FOTOS DA VIAGEM...



Acompanhe os mochileiros pelo instagram: @janazequim@emersonb2st@tsuyoshitakata

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